9 de Dezembro
O ano está acabando, o que significa que, felizmente ou infelizmente, 2022 está batendo na porta. Muitos de nós, estudantes, andamos um pouco ansiosos com a chegada de novos anos. A sensação de que estamos em um campo instável é constante. A imprevisibilidade, que, geralmente, é uma sensação que acaba afetando os outros, nos afeta de uma forma um pouco diferente. Não fazemos muito dinheiro sendo estudantes. Ganhamos algum prestígio em festas de família, mas olhos tortos com a ausência do emprego imediato. Enfim, apenas um breve desabafo.
Acontece que, em 2022, devo dar um curso. Essa coisa de dar aula já não me assusta, os pontos negativos nessa experiência já foram vivenciados por este aprendiz de professor - pelo menos, alguns deles. Me sinto preparado, na pior das hipóteses, para lidar com a parte negativa; o que, na prática, me faria ansiar pelas coisas boas, não? Não se sinto entusiasmado. Sei que vou fazer o possível para desempenhar um bom papel e isso me basta. Não sinto essa coisa de entusiasmo.
Não gostei deste semestre. De quase nada, exceto os trabalhos de algumas disciplinas em que senti, ao menos minimamente, valorizada minha subjetividade. Isso não é uma reclamação para ninguém em específico - acho - mas esse final de faculdade me parece uma quase-eterna sequência roteirizada, uma dessas que você pensa "não sei se esse é um bom roteiro".
Veja bem, fiz tudo o que deveria ter feito. Atividades. Performei compreensão. Exercitei criatividade, embora eu nem sei mais de onde eu possa tirar isso. Retive a matéria. Mas é isso: não estou entusiasmado. Nada até agora foi ruim, mas também não me foi motivo de entusiasmo.
Às professoras, obrigado pelo apoio e pelo conhecimento. Aos poucos colegas, obrigado pelas infames histórias de bastidores. À disciplina em si, grato pela experiência, mas não formamos um bom par. Ao curso, simbora, não temos a vida toda. Até ano que vem e que estejamos todos bem.
Caro Marcos,
ResponderEliminarA leitura de seu primeiro texto neste blog/diário traz fatos reais , registro de demandas pessoais e profissionais e muita transparência. Não é fácil esse exercício da escrita, mesmo tendo em vista que aqui se trata de um relato obrigatório mas extremamente necessário para essa disciplina. No entanto, a sua narrativa, já com marcas literárias, de quem sabe o quê para quem narrar e causar empatia e expectativa de leitura, deixa no ar outro fio de esperança. Me refiro à escrita. Quanto aos passos e tropeços para a docência, esses também, virão agora com uma dose a mais de ajustes. Sigamos por aqui nesse ir e vir de aprendizes. Os alunos te esperam!